Acessibilidade digital também é marketing

Imagine encontrar um anúncio perfeito para você, clicar nele e descobrir que o vídeo não tem legenda, o texto é difícil de ler ou o botão não funciona com o recurso de acessibilidade do seu celular. Para algumas pessoas, isso não é apenas uma experiência ruim: significa que aquele conteúdo simplesmente não está disponível.

Nesse artigo, você vai aprender que é por isso que acessibilidade digital também precisa entrar na conversa sobre marketing. Não como um detalhe técnico deixado para o desenvolvedor, mas como parte da experiência que uma marca oferece ao público.

A internet já faz parte da rotina de grande parte dos brasileiros. Segundo o IBGE, 90% dos domicílios tinham acesso à internet em 2021, e o celular era utilizado em 99,5% dos domicílios com acesso à rede. Quanto mais a comunicação das marcas acontece no ambiente digital, maior é a importância de garantir que ela possa ser percebida, compreendida e utilizada por diferentes pessoas.

O que é acessibilidade digital?

Acessibilidade digital significa criar sites, aplicativos, conteúdos e experiências digitais que possam ser utilizados pelo maior número possível de pessoas, incluindo pessoas com diferentes tipos de deficiência.

O W3C, principal referência internacional para padrões da web, organiza as diretrizes WCAG em quatro princípios: o conteúdo precisa ser perceptível, operável, compreensível e robusto. A versão 2.2 das diretrizes foi publicada como recomendação oficial em 2023 e acrescentou critérios voltados, entre outros aspectos, para pessoas com deficiências visuais, físicas e cognitivas. 

Na prática, isso envolve desde colocar texto alternativo em uma imagem até permitir que uma pessoa navegue por um site utilizando teclado ou tecnologia assistiva.

E é justamente aí que a acessibilidade deixa de ser apenas tecnologia e passa a ser experiência.

Acessibilidade também acontece nas redes sociais

Quando falamos em acessibilidade, é comum pensar primeiro em sites. Mas uma marca pode criar uma barreira antes mesmo de o usuário chegar ao seu site.

Um Reels sem legenda pode excluir quem não consegue ouvir o áudio. Uma arte cheia de texto pequeno pode dificultar a leitura. Uma imagem sem descrição pode não transmitir sua informação para quem utiliza o leitor de tela.

O W3C recomenda alternativas textuais para conteúdos não textuais e orienta que vídeos tenham recursos como legendas, transcrições e, quando necessário, audiodescrição.

Isso significa que uma estratégia de social media acessível não precisa ser completamente diferente. Muitas vezes, são pequenas adaptações que tornam o mesmo conteúdo mais fácil de consumir.

Os principais tipos de acessibilidade que o marketing precisa conhecer

Acessibilidade visual

É uma das áreas mais lembradas, mas vai muito além de “colocar uma imagem com bom contraste”. Pessoas com baixa visão ou cegueira podem utilizar leitores de tela e outras tecnologias assistivas.

Por isso, imagens que carregam informação precisam ter uma descrição adequada. O W3C considera a alternativa textual para conteúdo não textual um dos critérios fundamentais da acessibilidade web. 

Na prática, isso pode significar descrever uma fotografia importante, utilizar textos legíveis e garantir contraste suficiente entre elementos.

Acessibilidade auditiva

Vídeos e conteúdos em áudio também precisam oferecer alternativas.

Legendas são fundamentais para que pessoas surdas ou com deficiência auditiva consigam acompanhar um vídeo, mas elas também ajudam quem está assistindo sem som, algo bastante comum nas redes sociais.

Transcrições e outros recursos podem complementar essa experiência, conforme o formato do conteúdo. 

Acessibilidade motora

Uma pessoa pode ter dificuldade para utilizar mouse, teclado, tela sensível ao toque ou determinados controles.

Por isso, interfaces precisam oferecer formas alternativas de navegação e interação. As diretrizes WCAG incluem justamente critérios relacionados à operação de funcionalidades e à utilização por diferentes formas de entrada. 

Acessibilidade cognitiva

Textos confusos, excesso de estímulos, navegação imprevisível e instruções pouco claras podem dificultar a experiência de diferentes usuários.

Comunicação objetiva, hierarquia visual, linguagem compreensível e processos previsíveis beneficiam não apenas pessoas com determinadas deficiências, mas praticamente qualquer pessoa que esteja tentando entender uma informação rapidamente.

Como colocar acessibilidade na estratégia de conteúdo?

O primeiro passo é parar de pensar nela como uma etapa que acontece depois que o conteúdo está pronto, ela pode entrar desde o planejamento.

Ao criar um vídeo, pense em legenda. Ao desenvolver uma arte, avalie contraste e tamanho da tipografia. Ao publicar uma imagem importante, considere a descrição. Ao escrever uma página, organize títulos e informações de maneira lógica.

O W3C recomenda que ferramentas e plataformas de criação de conteúdo ofereçam suporte para que os próprios criadores produzam materiais acessíveis, incluindo alternativas para imagens, transcrições e legendas. 

Ou seja, a acessibilidade pode fazer parte do processo de produção, e não apenas da revisão final.

Acessibilidade melhora a experiência de todos

Existe uma vantagem interessante nessa discussão: muitas práticas criadas pensando em acessibilidade também tornam o conteúdo melhor para quem não possui deficiência.

Legendas ajudam quem está em um ambiente barulhento. Contraste facilita a leitura em uma tela com muito brilho. Textos objetivos ajudam quem está com pressa. Uma navegação organizada facilita encontrar informações.

Isso acontece porque acessibilidade, no fundo, está relacionada a uma pergunta bastante simples:

“Quantas pessoas conseguem realmente consumir aquilo que eu produzi?”

Quanto menos barreiras existirem, maior tende a ser o número de pessoas capazes de acessar a experiência.

O que uma marca perde quando ignora acessibilidade?

O primeiro problema é óbvio: parte do público pode simplesmente não conseguir consumir o conteúdo.

Mas existe outro impacto menos evidente. Uma empresa pode investir milhares de reais em produção, mídia e criação e ainda assim entregar uma experiência ruim para uma parcela da audiência.

É uma questão de eficiência. Se você gastou para levar uma pessoa até o seu anúncio, mas ela não consegue entender a mensagem, existe um problema de experiência antes mesmo da conversão.

Por isso, acessibilidade deve ser encarada como parte da qualidade do marketing, assim como design, copywriting, velocidade e usabilidade.

Acessibilidade não significa deixar sua comunicação “sem graça”

Outro mito é imaginar que conteúdos acessíveis precisam ser visualmente básicos ou perder criatividade.

Não é isso.

Uma marca pode ter uma identidade visual forte, produzir vídeos dinâmicos, utilizar humor e criar campanhas criativas enquanto incorpora recursos de acessibilidade. A diferença é que criatividade passa a coexistir com preocupação pela experiência do usuário.

O próprio W3C deixa claro que acessibilidade se aplica a conteúdo dinâmico, multimídia, dispositivos móveis e diferentes tecnologias digitais. Portanto, não é preciso escolher entre criatividade e inclusão.

Um checklist simples para começar hoje

Antes de publicar seu próximo conteúdo, vale fazer algumas perguntas:

  • O vídeo possui legenda? 
  • A informação principal da imagem está disponível em texto? 
  • O contraste permite uma leitura confortável? 
  • O texto está organizado e compreensível? 
  • Os botões e links deixam claro o que acontece quando são acionados?

No site, também vale verificar navegação por teclado, hierarquia de títulos, formulários, mensagens de erro e compatibilidade com tecnologias assistivas.

Essas verificações podem ser orientadas pelas WCAG 2.2, que oferecem critérios técnicos para avaliar diferentes aspectos da acessibilidade.

Não é necessário resolver tudo de uma vez, começar pelos conteúdos mais importantes e criar um processo contínuo já é muito melhor do que tratar acessibilidade como uma preocupação eventual.

Acessibilidade digital também é uma forma de respeitar o consumidor

Marketing não é apenas chamar atenção, é conseguir entregar uma mensagem para alguém que decidiu prestar atenção.

Quando uma marca coloca legenda em um vídeo, descreve uma imagem ou simplifica uma experiência confusa, ela está dizendo algo importante: “queremos que você consiga participar.” e isso tem valor para a marca.

Porque uma boa experiência não deveria depender da capacidade física, sensorial ou cognitiva de cada pessoa.

O marketing precisa ser entendido para funcionar

Acessibilidade digital também é marketing porque comunicação só funciona quando a mensagem consegue chegar ao público.

Em um ambiente em que marcas disputam cada segundo de atenção, criar conteúdos que mais pessoas conseguem compreender e consumir não é apenas uma questão de inclusão. É uma forma de melhorar a experiência, ampliar o acesso e construir uma comunicação mais responsável.

A tecnologia continua evoluindo, mas o princípio é simples: antes de perguntar se o conteúdo ficou bonito, talvez seja importante perguntar “quem consegue realmente consumir isso?”

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Perguntas frequentes sobre acessibilidade digital

O que é acessibilidade digital?

É a criação de sites, aplicativos e conteúdos digitais que possam ser percebidos, compreendidos e utilizados por pessoas com diferentes habilidades e necessidades, incluindo pessoas com deficiência.

Acessibilidade digital serve apenas para pessoas com deficiência?

Não. Recursos como legendas, textos claros, boa organização visual e navegação simples podem melhorar a experiência de praticamente qualquer usuário.

Como deixar um post do Instagram mais acessível?

Comece utilizando legendas nos vídeos, textos legíveis, bom contraste, linguagem clara e descrições adequadas para imagens quando a plataforma e o formato permitirem. O W3C recomenda alternativas textuais para conteúdos não textuais. 

Todo vídeo precisa ter legenda?

Como boa prática de acessibilidade, conteúdos em vídeo que possuem informações importantes em áudio devem oferecer uma alternativa adequada, como legendas. O W3C inclui legendas e outras alternativas entre as práticas fundamentais para conteúdo multimídia acessível. 

O que são as WCAG?

As Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) são diretrizes internacionais desenvolvidas pelo W3C para orientar a criação de conteúdo web acessível. A versão atual da recomendação é a WCAG 2.2. 

Acessibilidade digital pode ajudar o marketing?

Sim. Além do aspecto de inclusão, práticas acessíveis podem melhorar a experiência de consumo do conteúdo, reduzir barreiras e permitir que mais pessoas compreendam e interajam com a comunicação da marca.

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