Dia das Crianças: como marcas (mesmo fora do nicho infantil) podem lucrar com a data

Quando outubro se aproxima, é comum pensar que apenas lojas de brinquedos, roupas infantis, escolas e marcas voltadas para crianças podem aproveitar o Dia das Crianças. Mas essa visão limita bastante o potencial comercial da data.

O Dia das Crianças movimenta uma parcela relevante do varejo brasileiro e influencia decisões de compra em diferentes categorias. Em 2025, por exemplo, a CNC estimou que a data poderia movimentar R$ 9,96 bilhões no varejo brasileiro, o maior volume para o período em dez anos. Já uma pesquisa CNDL/SPC Brasil apontou que 70% dos consumidores planejam comprar pelo menos um presente, com gasto médio previsto de R$ 297.

Isso mostra que existe uma oportunidade comercial significativa, mas também uma concorrência enorme pela atenção do consumidor. Por isso, simplesmente colocar um brinquedo na arte, escrever “Feliz Dia das Crianças” e oferecer desconto pode não ser suficiente.

Nesse artigo, você verá que a verdadeira oportunidade está em entender por que as pessoas compram nessa data e como sua marca pode participar desse momento de uma maneira que faça sentido.

O consumidor não compra apenas para a criança, compra uma experiência

O Dia das Crianças possui uma característica interessante: quem recebe o presente nem sempre é quem toma a decisão de compra. Pais, avós, padrinhos, tios e outros familiares podem participar dessa decisão, e isso amplia bastante o público que uma campanha pode alcançar.

Mais do que comprar um produto, muitas pessoas estão tentando proporcionar um momento especial. Um passeio, uma refeição, uma viagem, uma roupa nova, uma atividade diferente ou simplesmente uma lembrança podem representar uma experiência compartilhada.

Essa percepção abre espaço para empresas que não vendem produtos infantis trabalharem a data de maneira muito mais criativa. Um restaurante pode vender um momento em família. Um hotel pode criar uma experiência para pais e filhos. Uma loja de roupas pode trabalhar looks para aproveitar o passeio. Uma academia pode promover uma atividade recreativa para famílias.

A pergunta deixa de ser “o que eu vendo para crianças?” e passa a ser “que experiência relacionada à infância ou à família eu consigo proporcionar?”

E se a sua marca não tiver absolutamente nada a ver com crianças?

Aqui está uma das maiores oportunidades.

Você não precisa transformar sua empresa em uma marca infantil para aproveitar a data. Precisa encontrar uma conexão legítima entre o seu negócio e o contexto do Dia das Crianças.

Uma clínica odontológica pode falar sobre cuidados com a saúde bucal infantil, desde que o conteúdo esteja dentro de sua área de atuação. Uma empresa de turismo pode apresentar destinos para viagens em família. Um restaurante pode criar um menu ou experiência especial. Uma empresa de tecnologia pode mostrar ferramentas que ajudam famílias a organizar momentos de lazer ou segurança digital, dependendo de seu produto.

Até mesmo uma empresa B2B pode utilizar a data em uma comunicação institucional mais humana, mostrando histórias de colaboradores, filhos e família, sem transformar isso necessariamente em uma campanha comercial.

O segredo é não tentar vender para uma criança quando quem efetivamente toma a decisão é o adulto.

A lei importa e publicidade infantil exige cuidado redobrado

Antes de pensar em criatividade, existe uma questão que toda empresa precisa considerar: publicidade direcionada a crianças não pode ser tratada como uma campanha comercial comum.

O Código de Defesa do Consumidor considera abusiva, entre outras situações, a publicidade que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente também estabelece que crianças e adolescentes têm direito à informação, cultura, lazer e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

Além disso, o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária do CONAR determina que anúncios não devem dirigir apelo imperativo de consumo diretamente à criança e estabelece cuidados específicos para publicidade destinada ao público infantil. Entre eles estão evitar pressão psicológica, constrangimento aos pais e situações que façam a criança acreditar que possuir determinado produto representa superioridade.

Por isso, uma campanha de Dia das Crianças precisa ser planejada considerando quem é o público da comunicação, qual é o produto, como a mensagem é apresentada e em quais canais ela será veiculada.

Como criar conteúdo infantil sem cair no mesmo clichê de sempre?

A comunicação infantil costuma cair rapidamente em alguns padrões: personagens coloridos, músicas alegres, brinquedos e frases genéricas sobre diversão.

Não existe problema em utilizar esses elementos quando fazem sentido para a marca, o problema aparece quando eles são utilizados sem criatividade e sem uma estratégia clara. Uma maneira melhor de trabalhar é explorar o universo da infância através de histórias, brincadeiras, descobertas e experiências.

Um restaurante pode criar um conteúdo como “5 coisas que toda criança faz quando vai comer fora”. Uma loja pode apresentar “3 presentes para cada tipo de personalidade”. Uma escola pode mostrar brincadeiras que estimulam a criatividade. Uma empresa de turismo pode criar um guia de experiências para fazer com crianças durante uma viagem.

Assim, o conteúdo deixa de ser apenas promocional e passa a ser útil ou divertido para quem está planejando o Dia das Crianças.

O conteúdo não precisa ser para crianças para funcionar no Dia das Crianças

Esse é um ponto importante para empresas que não atuam no segmento infantil.

O público adulto também consome conteúdos relacionados à própria infância. Memórias, nostalgia e experiências familiares podem gerar identificação muito forte. Esse tipo de conteúdo trabalha a memória afetiva, criando uma conexão emocional sem necessariamente direcionar uma mensagem comercial diretamente para a criança.

O digital também pode transformar a data em oportunidade de vendas

O consumidor não precisa chegar à loja para começar a comprar. Uma pesquisa da Fecomércio PR em parceria com o Sebrae/PR para o Dia das Crianças de 2025 mostrou que 75% dos consumidores que pesquisavam preços faziam isso pela internet. Na região Sul, 50% indicaram a internet como local de compra.

Isso reforça a importância de preparar o ambiente digital antes da data. Site, Google, Instagram, WhatsApp e anúncios precisam apresentar informações claras, produtos disponíveis, preços, condições e formas de compra.

No caso das redes sociais, vale trabalhar conteúdos que ajudem o consumidor a escolher. Guias de presentes, comparações, sugestões por faixa etária, vídeos demonstrativos e conteúdos de experiência podem reduzir dúvidas e facilitar a decisão.

A ideia é simples: quando o consumidor começar a procurar, sua marca precisa estar pronta para aparecer e ajudar.

 

Como impulsionar sua marca para aproveitar o Dia das Crianças?

O tráfego pago pode acelerar a campanha, principalmente quando existe uma oferta ou experiência específica para a data. Mas não é interessante começar simplesmente anunciando “compre agora”. Antes disso, a empresa pode utilizar anúncios para apresentar produtos, gerar reconhecimento e levar pessoas para conteúdos relacionados à campanha.

Conforme a data se aproxima, a comunicação pode ficar mais comercial, destacando disponibilidade, condições especiais, prazos e facilidade de compra.

Também é possível trabalhar com públicos que já interagiram com a marca, visitaram o site ou demonstraram interesse em determinados produtos, respeitando as regras das plataformas e da legislação aplicável.

Dessa forma, o anúncio acompanha a jornada do consumidor em vez de tentar transformar uma pessoa que nunca ouviu falar da marca em cliente imediatamente.

E se o objetivo for vender sem parecer que está apenas vendendo?

A melhor maneira é criar uma campanha que tenha uma ideia central.

Em vez de simplesmente oferecer “10% de desconto no Dia das Crianças”, uma loja pode construir uma campanha sobre “presentes que viram histórias”. A promoção pode continuar existindo, mas agora ela está dentro de uma narrativa.

Isso torna a comunicação mais memorável e dá à empresa mais possibilidades de conteúdo para redes sociais, anúncios, e-mail e WhatsApp.

O que as marcas precisam evitar?

O primeiro cuidado é não direcionar apelos de compra de forma inadequada para crianças. Frases imperativas, pressão para convencer os pais e mensagens que associam felicidade, superioridade ou pertencimento à posse de determinado produto são especialmente problemáticas. O CONAR estabelece regras específicas justamente para evitar esse tipo de abordagem.

Também vale evitar estereótipos excessivos e campanhas que assumam que toda família possui a mesma estrutura. O Dia das Crianças pode ser uma oportunidade para falar de convivência, diversão e experiências sem precisar representar uma única configuração familiar.

Outro erro é deixar tudo para a última semana. O consumidor pesquisa, compara preços e procura opções antes de decidir. No levantamento da Fecomércio PR/Sebrae-PR, 49,3% dos consumidores do Sul que pretendiam comprar deixariam a compra para a semana anterior à data, o que mostra a importância de estar preparado antes do pico de demanda.

Como planejar uma campanha de Dia das Crianças?

Comece definindo o objetivo, você quer vender um produto específico, aumentar o movimento da loja, atrair novos clientes, fortalecer a marca ou criar uma experiência?

Depois, identifique quem realmente toma a decisão de compra e qual é a relação dessa pessoa com a criança, essa informação muda completamente a linguagem da campanha.

Em seguida, escolha um conceito que conecte sua marca à data e transforme esse conceito em diferentes formatos de conteúdo. Um Reels pode apresentar a ideia, um carrossel pode aprofundá-la, os Stories podem gerar interação e os anúncios podem levar o público até a oferta.

Por fim, acompanhe os resultados. Analise vendas, mensagens, cliques, custo por aquisição, ticket médio e desempenho dos conteúdos para entender o que realmente funcionou.

O Dia das Crianças pode ser uma oportunidade para quase qualquer marca

A grande lição é que datas comemorativas não precisam ser utilizadas apenas por empresas que vendem exatamente aquilo que representa a ocasião.

O Dia das Crianças pode falar sobre família, nostalgia, diversão, educação, experiências, criatividade, cuidado e momentos compartilhados. Cada empresa precisa encontrar o seu próprio território dentro desta conversa.

Quando existe uma conexão verdadeira, a campanha deixa de parecer uma tentativa de aproveitar uma data comercial e passa a fazer sentido para o consumidor. E é justamente aí que o marketing começa a ficar interessante.

No fim, o dia das crianças é para todos

O Dia das Crianças pode representar muito mais do que uma oportunidade para vender brinquedos. Para marcas de diferentes segmentos, a data pode ser utilizada para criar experiências, gerar conexão emocional, produzir conteúdos relevantes e apresentar ofertas de maneira mais estratégica.

O segredo está em entender que a criança pode ser quem recebe a experiência, mas muitas vezes é o adulto quem pesquisa, compara, escolhe e compra. Por isso, conhecer a jornada de decisão é tão importante quanto criar uma campanha criativa.

Se sua empresa deseja aproveitar datas comemorativas de forma estratégica, unindo conteúdo, tráfego pago, redes sociais e posicionamento de marca, entre em contato com a Academia Digital, podemos ajudar sua empresa a transformar oportunidades sazonais em estratégias de crescimento.

Perguntas frequentes sobre o Dia das Crianças

Quando é o Dia das Crianças no Brasil?

O Dia das Crianças é celebrado no Brasil em 12 de outubro.

Apenas empresas infantis podem fazer campanhas de Dia das Crianças?

Não. Empresas de turismo, gastronomia, educação, entretenimento, serviços, varejo e diversos outros segmentos podem aproveitar a data quando existe uma conexão verdadeira com seu público e sua proposta de valor.

É permitido fazer publicidade diretamente para crianças?

A publicidade dirigida ao público infantil possui restrições específicas. O Código de Defesa do Consumidor considera abusiva a publicidade que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança, enquanto o CONAR estabelece regras específicas para evitar apelos imperativos de consumo, pressão psicológica e outras práticas inadequadas.

Como uma marca fora do nicho infantil pode aproveitar a data?

Uma empresa pode trabalhar temas como família, experiências, nostalgia, diversão, criatividade ou relacionamento, encontrando uma conexão genuína entre esses assuntos e seu produto ou serviço.

Vale a pena investir em tráfego pago no Dia das Crianças?

Pode valer a pena, principalmente quando existe uma oferta, produto ou experiência específica para a data. O ideal é começar o planejamento com antecedência e utilizar anúncios de acordo com as diferentes etapas da jornada de compra.

Como criar uma campanha de Dia das Crianças sem ser clichê?

Em vez de apenas utilizar cores, personagens e frases relacionadas à infância, desenvolva um conceito próprio para a marca. Histórias, experiências, conteúdos úteis e memória afetiva podem gerar uma comunicação muito mais original.

O que os dados mostram sobre o comportamento de compra?

Pesquisas recentes mostram que a data continua relevante para o comércio. Em 2025, a CNC estimou R$ 9,96 bilhões em movimentação no varejo brasileiro, enquanto CNDL/SPC Brasil estimaram R$ 16,73 bilhões no varejo e 70% de intenção de compra. Os números variam conforme metodologia e escopo da pesquisa, mas todos apontam para a relevância comercial da data.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Abrir bate-papo
1
Escanear o código
Olá
Podemos ajudá-lo?