Durante muito tempo, o perfil de uma empresa nas redes sociais tinha uma função bastante previsível: apresentar produtos, divulgar promoções e publicar conteúdos institucionais. Hoje, algumas das marcas que mais chamam atenção fazem algo completamente diferente. Elas se comportam como criadores de conteúdo.
O Duolingo brinca com memes, tendências e a própria personalidade do personagem Duo. A Netflix transforma lançamentos em conversas culturais, reage ao comportamento da comunidade e cria conteúdos que muitas vezes parecem ter sido feitos por um creator, não por uma grande empresa.
Nesse artigo, você verá que essa mudança não aconteceu por acaso, as redes sociais ficaram mais humanas, rápidas e culturais. O público não entra no Instagram ou TikTok apenas para receber propaganda. Ele quer entretenimento, informação, identificação e participação.
O que significa uma marca “virar creator”?
Uma marca virar creator não significa contratar um influenciador e colocar o logo da empresa no vídeo. Significa começar a pensar como um produtor de conteúdo: o que faria alguém querer acompanhar essa marca mesmo quando não está pensando em comprar?
Essa mudança parece pequena, mas altera completamente a estratégia. Em vez de perguntar apenas “o que precisamos vender este mês?”, a empresa começa a perguntar “o que nosso público gostaria de assistir, comentar ou compartilhar?”.
É isso que transforma o perfil corporativo em um canal de mídia.
O Duolingo entendeu que sua marca precisava ter personalidade
O Duolingo é provavelmente um dos exemplos mais claros dessa transformação.
A empresa transformou seu mascote, Duo, em praticamente um personagem de internet. O perfil da marca participa de tendências, reage a acontecimentos e utiliza humor para conversar com a comunidade.
A própria empresa explica que sua equipe de redes sociais trabalha com reações, envolvimento da comunidade e uma personalidade coerente com sua missão de tornar o aprendizado divertido.
O mais interessante é que o conteúdo nem sempre está tentando ensinar um idioma e esse é justamente o ponto. O Duolingo percebeu que uma marca pode construir relacionamento antes de tentar vender ou converter.
A Netflix também deixou de apenas divulgar seus filmes e séries
A Netflix possui uma vantagem óbvia: seu próprio conteúdo já faz parte da cultura popular. Mas a empresa foi além de simplesmente publicar trailers. Nas redes sociais, a estratégia frequentemente transforma personagens, cenas, memes e acontecimentos das produções em conteúdos próprios para cada plataforma.
O resultado é que a conversa sobre uma série não termina quando o episódio acaba. Ela continua nas redes, nos comentários, nos memes e nas discussões entre fãs. A marca deixa de ser apenas distribuidora de entretenimento e passa a participar do entretenimento.
Por que esse modelo funciona?
Porque as pessoas não querem seguir empresas apenas para receber anúncios. Uma pesquisa da Sprout Social mostra que autenticidade e identificação estão entre as características mais valorizadas pelos consumidores no conteúdo de marcas nas redes sociais. O estudo também aponta que cerca de metade dos consumidores considera o conteúdo original um fator que faz suas marcas favoritas se destacarem.
Isso ajuda a explicar por que empresas com personalidade conseguem se destacar. Quando uma marca possui uma voz própria, o público começa a reconhecê-la antes mesmo de ver o logo.
É como acontece com um creator, você vê o vídeo e pensa: “isso tem muito a cara daquela pessoa”. As marcas mais interessantes estão tentando construir exatamente essa sensação.
Mas atenção: virar creator não significa virar uma marca engraçadinha
Esse é provavelmente o maior erro que uma empresa pode cometer ao observar Duolingo ou Netflix. Uma marca vê um perfil fazendo memes e conclui: “precisamos fazer memes”.
Não necessariamente.
O que deve ser copiado não é o humor, é a lógica por trás da estratégia.
O Duolingo pode ser irreverente porque isso combina com sua personalidade e com a proposta de tornar o aprendizado divertido. Uma empresa de contabilidade voltada para empresários de 50 anos provavelmente não deveria copiar o mesmo comportamento. Ser creator significa encontrar a sua própria forma de ser interessante.
Como uma empresa comum pode começar a agir como creator?
Comece descobrindo qual é a personalidade da marca. Ela é divertida? Técnica? Provocadora? Educativa? Sofisticada? Próxima? Inspiradora?
Depois, pense em quais assuntos sua empresa poderia abordar mesmo quando eles não resultam diretamente em uma venda.
Uma pizzaria pode falar sobre cultura gastronômica, futebol, situações de família e humor cotidiano. Uma clínica pode falar sobre autoestima, comportamento e rotina. Uma empresa de segurança pode transformar situações comuns em histórias e conteúdos de prevenção.
O produto continua presente, mas não precisa aparecer em absolutamente todas as publicações.
A regra mais importante: não confunda relevância com viralização
Nem toda tendência precisa ser aproveitada.
Uma pesquisa da Sprout Social descobriu que 93% dos consumidores consideram importante que as marcas acompanhem a cultura online, mas um terço considera constrangedor quando empresas simplesmente entram em tendências virais sem contexto.
Ou seja: acompanhar cultura não significa correr atrás de toda trend.
Uma marca inteligente pergunta primeiro:
“Isso tem alguma relação com meu público?”
“Consigo fazer isso de uma maneira que tenha a minha identidade?”
“Existe alguma coisa interessante que posso acrescentar à conversa?”
Se a resposta for não, talvez seja melhor deixar a trend passar.
O conteúdo precisa parecer feito para pessoas, não para o calendário editorial
Esse talvez seja o maior aprendizado do movimento das marcas creators, o público percebe quando uma empresa publica apenas porque “terça-feira é dia de Reels”.
Conteúdo precisa ter motivo.
Pode ser para divertir, ensinar, provocar uma reflexão, contar uma história, responder uma dúvida ou participar de uma conversa.
Isso não significa abandonar estratégia ou planejamento, pelo contrário,significa utilizar o planejamento para criar espaço para conteúdo que tenha personalidade e relevância cultural.
Sua empresa deveria virar uma marca creator?
Não necessariamente, mas sua empresa deveria aprender com esse movimento. Você não precisa transformar seu perfil em uma fábrica de memes, também não precisa abandonar conteúdos comerciais.
O que precisa mudar é a lógica: sua marca precisa oferecer uma razão para ser acompanhada, e não apenas uma razão para ser comprada.
Quando isso acontece, o Instagram, TikTok ou YouTube deixam de ser apenas vitrines e passam a funcionar como canais de construção de marca, comunidade e relacionamento.
Virar creator não é sinônimo de sucesso
Duolingo, Netflix e outras marcas estão mostrando que as empresas podem ocupar um espaço diferente nas redes sociais. Em vez de simplesmente interromper o conteúdo das pessoas com publicidade, elas estão criando conteúdos que as pessoas escolhem consumir.
As marcas viraram creators porque entenderam uma mudança fundamental: nas redes sociais, ter um produto interessante não é suficiente. É preciso também ter uma história, uma personalidade e algo relevante para dizer.
Sua empresa não precisa copiar o Duolingo, precisa descobrir o que faria alguém seguir sua marca mesmo quando não está procurando comprar nada.
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Perguntas frequentes sobre marcas que viraram creators
O que significa uma marca virar creator?
Significa tratar a empresa também como uma produtora de conteúdo, desenvolvendo personalidade, linguagem própria e conteúdos que as pessoas tenham interesse em consumir mesmo sem uma intenção imediata de compra.
Toda empresa precisa fazer memes?
Não. Memes são apenas uma das possibilidades. O mais importante é desenvolver uma linguagem compatível com a identidade da marca e com o público.
O conteúdo comercial deve desaparecer?
Não. A venda continua sendo importante. A diferença é equilibrar conteúdos comerciais com conteúdos que gerem relacionamento, entretenimento, informação e identificação.
O que podemos aprender com o Duolingo?
Principalmente a importância de personalidade, consistência e entendimento da cultura da plataforma. O humor do Duolingo não deve ser copiado; sua capacidade de criar uma identidade reconhecível, sim.
Marcas pequenas também podem fazer isso?
Sim e talvez tenham até mais liberdade para testar formatos e linguagens. Uma pequena empresa pode transformar conhecimento, bastidores, clientes, histórias e situações do próprio mercado em conteúdo original.
Como saber se minha marca está pronta para agir como creator?
Comece perguntando: “Se eu retirasse meus produtos e ofertas do perfil, ainda existiria algum motivo para alguém querer acompanhar minha marca?” Se a resposta for não, provavelmente existe uma oportunidade de desenvolver melhor a personalidade e a estratégia de conteúdo.



